sábado, 17 de outubro de 2015

Colaboração...

Olá Amados,

Boa noite para todos,hoje trago a vocês uma colaboração do nosso leitor ( e meu noivo rsrs) André Silva, peço que o recebam com carinho e prestem atenção em seu texto abaixo... Mil bjinhos

 Prosa com Saldanha
Créditos: André Luiz da Silva.

Olá amigos! Estreio aqui neste espaço que venho como convidado, e não poderia deixar de falar de uma das minhas maiores influências, o “João sem medo”, um dos maiores escritores e cronistas brasileiros, João Saldanha.
Muito do que se escreve hoje no Brasil não seria nada sem esse homem. Eu pessoalmente posso afirmar que se não fosse por João Alves Jobim Saldanha, grande parte dos escritores, jornalistas e similares (onde humildemente me coloco, diga-se de passagem), sequer pensaria em escrever. Ninguém neste país pode negar a importância de João Saldanha para o jornalismo tupiniquim. Ninguém foi tão corajoso, crítico, irônico, inteligente e criativo como foi esse sujeito.
João é nascido no Rio Grande do Sul, porém teve seu primeiro registro de nacionalidade uruguaia, por que seus pais estavam exilados. Chegando a idade de 18 anos, fez outro registro, assumindo sua nacionalidade brasileira, e indiretamente contribuindo para a campanha dos “maragatos federalistas” chefiados pelo então presidente do Rio Grande do Sul, Antônio Borges de Medeiros, contra os “chimangos”, numa guerra civil que assolou o estado no século passado.Sua família deixa a região, fixa-se em Curitiba, onde João vive até 1931, quando retorna, para depois partirem para o Rio de Janeiro.
Homem de posição política definida, João era esquerdista extremo. Foi membro do PCB, vivendo clandestinamente entre os estados de São Paulo, Rio e Paraná como dirigente do partido. Conheceu o jornalismo na década de 40, ao ir para a França para estudar história, ao conhecer o italiano Sandrino Saverio que era jornalista e o convidou para trabalhar na sua agência de notícias. Depois desta experiência, retorna para o Brasil, onde consegue uma vaga como comentarista da Rádio Nacional.
Sua irreverência quebrava barreiras e criava uma nova maneira de trabalhar. Uma frase que muita gente conhece e que é de autoria dele ilustra toda essa capacidade: “Se macumba ganhasse jogo, campeonato baiano terminava empatado”. Mais que um comentarista de futebol, João esteve nas chamadas “quatro linhas”. Jogou no Botafogo por um pequeno período, porém preferiu a carreira de treinador, onde pegou um time pouco vitorioso, e levando o mesmo a um título ambicionado a 10 anos. Devido a sua capacidade e respaldo como jornalista, assumiu a seleção brasileira em 1970, construindo a base do time campeão mundial, porém, devido a sua forte personalidade, foi logo demitido.
Independente do que se falar sobre este homem, seja contra ou a favor, nada irá apagar sua imagem profissional, que apesar de ter vivido e visto momentos gloriosos, morreu em junho de 1990, vendo uma atuação quase “lexotânica” do plantel canarinho.
Nos tempos de hoje, temos uma história diferente.. O que João falaria do futebol atual? Do jornalismo atual, da mídia 2.0? Saldanha era um brasileiro diferente, que criticava sem dó, de forma inteligente e direta, que do ser mais simples ao mais intelectual o compreendia e apoiava. E não falo somente do futebol.
Amigo internauta, quantos “Saldanhas” temos hoje em nosso país? Mais do que bons políticos (se é que isso existe), comentaristas, e bons jogadores de futebol, faltam “Saldanhas” que sejam capitães na mídia, e hoje preferem viver ancorados, que critiquem sem medo, incentivem mudanças e cobranças a quem seja de direito, do seu time de coração aos problemas de governo. Que não tenham medo de escrever resenhas e matérias, e dizer a verdade para esse povo acostumado a absorver informação mastigadinha, e, que, precisa conhecer outros patamares de opinião, que se sobressaiam do costumeiro. Arrisco a dizer que Saldanha seria um blogueiro, ou até mesmo um Youtuber, ele era um homem à frente do seu tempo.

       A verdade é que brasileiro igual o João-sem-medo não existiu igual. E assumo humildemente que este vosso escriba anseia em ser pelo menos um terço do que ele foi... mas dá-lhe muito “arroz com feijão” pra isso...






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