sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Resenha do Livro: Holocausto Brasileiro de Daniela Arbex...


Bom dia Amados!!!

Estou aqui novamente para postar a resenha sobre um dos meus livros preferidos ( confesso que estou atrasadinha com a postagem,mas nunca é tarde!) Vamos lá?


Sinopse: Neste livro-reportagem fundamental, a premiada jornalista Daniela Arbex resgata do esquecimento um dos capítulos mais macabros da nossa história: a barbárie e a desumanidade praticadas, durante a maior parte do século XX, no maior hospício do Brasil, conhecido por Colônia, situado na cidade mineira de Barbacena. Ao fazê-lo, a autora traz à luz um genocídio cometido, sistematicamente, pelo Estado brasileiro, com a conivência de médicos, funcionários e também da população, pois nenhuma violação dos direitos humanos mais básicos se sustenta por tanto tempo sem a omissão da sociedade. Pelo menos 60 mil pessoas morreram entre os muros da Colônia. Em sua maioria, haviam sido internadas à força. Cerca de 70% não tinham diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava ou que se tornara incômoda para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas violentadas por seus patrões, esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento, homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos 33 eram crianças.

Editora Geração
Literatura nacional/Reportagem
Número de páginas: 255


Esse é um livro-reportagem e desde que vi a sinopse e a capa dele, me interessei demais na leitura( que por sinal já fiz no inicio do ano,mas resolvi falar sobre agora com vocês). Como o próprio título já diz, é sobre o Holocausto Brasileiro, que ocorreu em Barbacena/MG no maior hospício do Brasil: o Colônia. Lá morreram cerca de 60 mil pacientes que eram tratados feito animais, em uma época que ter problemas psicológicos e familiares era uma sentença de morte.

O Colônia abrigava em sua maioria pessoas alcoólatras , epiléticos, meninas grávidas que eram estupradas por seus patrões, prostitutas, gente que se rebelava, gente que se tornava incômoda para alguém com mais poder, homossexual, tímidos, filhas solteiras de fazendeiros que não eram mais virgens, gente que não tinha documento, ou seja, quem eram considerados a escória da população, triste isso porque não tinha critério médico nenhum.

O Colônia foi fundado em 1903, mas o período da barbárie ocorreu entre 1930 e 1980 onde se praticava as torturas e os maus-tratos como a lobotomia (procedimento em que se furava o cérebro através do olho) e os choques elétricos. Teve época em que morria 16 pessoas por dia por causa de fome, de frio, de doença e de maus-tratos. Mais de 1.800 corpos foram vendidos para faculdades de medicina em todo Brasil, ou seja, eram tratados como mercadorias e viravam lucro até depois de mortos, sem nenhum respeito. Um detalhe que vale a pena ressalta é que autoridades fechavam os olhos para tanto crueldade praticada.

O livro traz fotografias feitas na época, o que nos choca ainda mais durante toda narrativa.

As pessoas chegavam por um trem abarrotado, denominado por “Trem dos doidos” e lá lhe eram retirados tudo que traziam, para colocarem um uniforme fino para o frio de Minas Gerais. Os homens raspavam a cabeça e não eram mais chamados pelo nome. Quem chegava lá, era deixado a própria sorte com a comida parecendo uma lavagem de porco, com fezes e urina em todos os lugares, doentes com moscas no corpo e muitas vezes tendo que comer ratos e tomar a água do esgoto que percorria o pátio, além das sessões de tortura com os banhos gelados à noite e os choques elétricos. E na maioria do tempo ficavam nus ou em trapos porque não tinham roupas.

A narrativa do livro é dividida em terceira pessoa para contar os relatos dos sobreviventes e de quem testemunhou o período e em primeira pessoa quando a Daniela Arbex expõe sua opinião.

Hoje existe o museu da loucura numa antiga instalação do hospício e serve como um lembrete terrível dessa época.

Após a leitura só tenho a parabenizar a autora e minha conterrânea pelo belo trabalho realizado,livro forte,chocante, mas que vale muito a nivel de conhecimento, leitura super recomendada.

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